quarta-feira, 14 de julho de 2010

Nokia N900 vale como brinquedo 'nerd', mas falha como telefone

Há quatro anos, a Nokia reinava soberana no mercado de telefonia celular, tanto em vendas quanto em tecnologia. Mas aí, em 2007, surgiu o iPhone, da Apple. Logo depois vieram os aparelhos com Android, sistema operacional do Google. E a Nokia começou a perder brilho. E dinheiro. A liderança continua – a companhia finlandesa ainda tem 34% do mercado mundial e o sistema operacional Symbian, também da Nokia, está em 44% dos smartphones vendidos – mas já é hora de tentar reagir.


Nokia N900

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A aposta mais recente da Nokia é o N900, lançado em setembro de 2009 e que chega ao Brasil em agosto por R$ 2 mil. O G1 analisou o N900 e constatou que o aparelho é um excelente computador portátil para geeks, mas peca na usabilidade e, principalmente, nos recursos de telefonia. Não há, por exemplo, suporte de fábrica a mensagens multimídia, também conhecidas como fototorpedos ou MMS.
Sucessor do N810, o N900 é o primeiro – e até o momento, o único – celular da Nokia entre os “internet tablets” a ser fabricado com uma função de telefonia (sim, a Nokia vende gadgets que não telefones).
No quesito hardware, não há do que reclamar: tem teclado QWERTY, processador ARM Cortex A8 de 600MHz, 32GB de memória interna – expansível para 48GB –, e uma placa gráfica PowerVR SGX com suporte a OpenGL. Traduzindo a "sopa de letrinhas": dá para rodar jogos 3D na tela touchscreen de 3,5’’, que tem resolução de 800x480. A câmera vem com assinatura da fabricante de lentes alemã Carl Zeiss, e um sensor de 5 megapixels. Na caixa, um fone de ouvido de alta qualidade é incluído para suplementar os alto-falantes estéreo.
Com tantos recursos, até a Nokia prefere chamar o N900 de “computador portátil” em vez de “smartphone”. Ele tem, no entanto, todos os recursos que se espera de um celular moderno: Wi-Fi, navegação com GPS, Bluetooth, calendário, aplicações, mensagens, e-mail e, claro, telefonia. O que diferencia o N900 dos outros celulares da Nokia, porém, não é o hardware e sim o sistema operacional: Maemo 5.

Linux mais 'puro' que o Android

Baseado no Linux, o Maemo é um sistema digno de um computador desktop. O Android, que é usado em vários celulares concorrentes, como o Motorola Milestone, tem modificações que o tornam diferente “demais” e, por isso, os programas precisam ser retrabalhados antes de funcionarem no celular. No Maemo, não. No N900 é possível instalar toda a distribuição Debian ARM – o Linux desenvolvido para o tipo de processador usado em celulares. Isso significa ter acesso a programas como o OpenOffice e GIMP. Apesar de lentos, eles funcionam como em um PC comum.
Por outro lado, também significa ter um sistema que não foi pensado para um telefone celular. E isso fica bem claro com uso do N900: as funções de telefonia não são nada intuitivas e recursos básicos estão faltando. O pior é que o N900 foi o primeiro e também deve ser o último celular com Maemo a ter funções de celular. No futuro, a Nokia deverá usar outro sistema, chamado de MeeGo. Ou seja, o N900 usa um sistema já em rota de abandono.

Um celular bom, se você souber como ajustá-lo


A área de trabalho do N900 é dividia em quatro partes e você pode “arrastá-la” para ter acesso às opções. Além de operar o celular com o dedo, uma caneta stylus (do mesmo tipo que era muito usada em Palmtops) está inclusa e pode ser usada – o que é útil, especialmente para navegar em programas pouco adaptados para a tela pequena.
Ao abrir o menu, o N900 traz as principais aplicações e um botão para acessar “mais”. É possível mudar isso para categorizar os aplicativos, facilitando muito a acesso aos programas depois que outros softwares já foram instalados.
A maior parte dos aplicativos funciona apenas no modo horizontal, um lembrete das origens tablet-quase-desktop do N900. Apenas alguns poucos softwares, como o que faz as ligações – que foi desenvolvido apenas para o N900 – funcionam em modo retrato. Com a atualização mais recente lançada pela Nokia no final de maio, o navegador web também ganhou a opção de exibir páginas verticalmente.

A tela de multitarefa do N900. (Foto: Divulgação)

O navegador web, aliás, é excelente – outro lembrete, desta vez positivo, da origem “tablet” do N900. Baseado na tecnologia do Firefox, o navegador exibe os sites corretamente e tem suporte ao Adobe Flash Player 9.4, mesmo rodando muito lentamente. O Firefox e o Opera Mobile também estão disponíveis para o N900, mas não há muita razão para instalá-los. O suporte multitarefa do aparelho é excelente.

Câmera similar a de equipamentos mais baratos


Se sua preocupação principal são fotos, o N900 é tão bom quanto alguns celulares da Nokia de valor muito inferior. Em uma comparação com o N85, um celular que custa a metade do N900, percebe-se que a maior diferença entre os dois é o pós-processamento da imagem. Ou seja, não há diferenças significativas no hardware – dá para gastar menos se tudo que você procura é um celular com uma boa câmera. Além disso, você vai ter que editar toda as fotos no computador, porque o N900 não dispõe de configurações como contraste e vivacidade das cores. Para ativar a câmera, basta deslizar a tampa protetora.
A qualidade de chamada é boa. O microfone do N900 é excelente – até a gravação de som ambiente em condições pouco favoráveis é satisfatória. Mas para tirar proveito disso você também terá de instalar um programa adicional. Como vem da fábrica, o N900 não permite que você grave chamadas nem ligue o microfone para gravações pessoais – recursos comuns até mesmo nos celulares mais simples da Nokia. Com o programa “recaller”, porém, é possível gravar áudio em AAC ou FLAC.
A usabilidade do programa “Telefone” não merece elogios. Ao receber uma chamada, não existe um recurso como o “deslizar para atender” do iPhone. Um simples toque na tela, que pode ser causado pelo fato de o telefone estar em um bolso, por exemplo, é capaz de atender a chamada.
Graças ao sensor de proximidade, a tela se apaga quando você coloca o telefone na orelha, mas isso dificulta o uso de “menus de callcenter” porque você precisa tirar o telefone do ouvido e aguardar de 1 a 2 segundos para ver a tela, chamar o teclado e digitar um número, voltar a ouvir e... O processo se repete; o mais fácil nesse caso é ativar o viva-voz e usá-lo olhando para a tela. O teclado QWERTY não é prático para essa tarefa, já que os números 1 a 0 estão na mesma linha.
Há também uma limitação inexplicável no número de perfis de uso disponíveis: apenas dois, geral e silencioso, além do offline. Vários modelos mais simples da Nokia acompanham vários perfis – como Externo, Reunião – e também a possibilidade de criar novos perfis, o que não é possível no Maemo. Talvez a Nokia tenha tentado copiar o iPhone com esse comportamento, mas não é algo com o qual usuários Nokia estão acostumados. Também não há como configurar desvio de chamada pela interface do celular. Mais uma vez, usuários já fizeram programas para resolver esses problemas.

As características do N900 estão a altura dos concorrentes. (Foto: Arte/G1)

Sem ficar perdido

O aplicativo Mapas usado no N900 é bonito – graças à alta resolução da tela – e funciona bem, mas não é o mesmo aplicativo que está disponível para outros celulares da companhia. O resultado é que o download de mapas para uso offline pode ser um desafio – outro descuido da Nokia. O G1 precisou buscar soluções na internet para fazer o “Nokia Maploader” funcionar. No entanto, assim que o aparelho foi desconectado, o problema retornou e o N900 não foi mais reconhecido na conexão seguinte.
Também fique atento para a bateria. Jamais se esqueça de carregá-la diariamente. Em uso razoável, ela deverá durar um dia. Se você deixá-lo parado, em modo GSM (não 3G) e com Wi-Fi e GPS desligado, sem fazer chamadas, ela poderá durar uns dois dias e meio.

MMS e rádio FM? Só com software extra


O software “Conversação” integra SMS e programas de mensagem instantânea. Há suporte de fábrica para Google Talk (Jabber) e Skype – inclusive chamadas neste último. Atualizações permitem adicionar suporte ao chat do Facebook, ICQ, MSN, AOL Messenger e Yahoo Messenger – tudo integrado na mesma tela onde ficam os torpedos SMS. As mensagens são agrupadas por contato e ordenadas por data, de modo que a visualização é cômoda e fácil.
Digitar mensagens no N900 é uma delícia – o teclado funciona bem e possui previsão de escrita – em português de Portugal. As teclas são pequenas e é preciso se adaptar. O teclado tem três linhas, ou seja, não é um QWERTY completo. A barra de espaço fica na direita
Por algum motivo misterioso, o N900 não possui suporte para mensagens multimídia (fototorpedos). Um usuário desenvolveu um programa, chamado fMMS, para realizar a função, mas o aplicativo não recebe suporte oficial da Nokia. O G1 verificou que o fMMS realmente cumpre o permitido; porém, por limitações, as mensagens não ficam integradas no painel de “Conversação”, o que não é muito conveniente. Além disso, o simples fato de ser necessário um programa extra para acessar uma função tão comum é pouco intuitivo e uma falha da Nokia, considerando que o celular é um dos modelos “top” que a companhia finlandesa oferece.
É no mínimo inesperado que um aparelho da classe e preço do N900 tenha deficiências tão básicas. Parece que a Nokia colocou no mercado um dispositivo que não estava pronto.
Outro mistério está no receptor de rádio FM do N900. O hardware está lá, mas não há programa para ouvir rádio. Mais uma vez, é preciso instalar um programa extra. Diferentemente de outros celulares da Nokia, porém, o chip receptor FM é integrado e não necessita de um fone de ouvido para funcionar. Cabe aqui um comentário sobre o fone de ouvido incluído com o N900: é do tipo intra-auricular (in-ear) e acompanha adaptadores para diferentes tamanhos de ouvido. Se colocado corretamente, tem qualidade de som e graves excelentes. O conector no N900 é de 3,5mm, o que permite que qualquer fone de ouvido seja usado.
Não há do que reclamar a respeito do hardware do N900. Mas o software ainda precisa de muitas melhorias, que provavelmente não vão chegar antes do MeeGo, o novo sistema operacional desenvolvido pela Nokia, pela Intel e pela Linux Foundation. O sucessor do N900 deve ter o MeeGo e a plataforma Maemo será abandonada. Por enquanto se sabe que o MeeGo deve funcionar no N900, mas não haverá suporte oficial da Nokia para isso.

Um excelente brinquedo para geeks

O Nokia N900 apresenta teclado virtual e físico. (Foto: Divulgação)

Chegando ao Brasil por R$ 2 mil, o N900 é um produto caro. No entanto, nesse quesito, não há motivo para se decepcionar. O Maemo, sistema do N900, chega bem perto de ser um Linux nativo. A interface roda no X, o mesmo sistema usado pelo sistema do pinguim no desktop. Os elementos são desenhados por meio do GTK, o mesmo que é responsável pelo GNOME, usado em várias distribuições Linux, incluindo o Ubuntu.
Desenvolvedores sentem o aconchego do lar do pinguim ao ouvir tudo isso. O resultado é que aplicativos já existentes para Linux estão sendo facilmente adaptados para funcionar no Maemo. O programa de mensagens instantâneas Pidgin e o cliente de IRC X-Chat são exemplos. Jogos como Freeciv (clone de Civilization 2), Quake 2, Quake 3, Doom e emuladores de jogos NES, Super Nintendo, Megadrive e Game Boy estão disponíveis gratuitamente.
É a plataforma mais aberta e flexível para celulares. Não há necessidade de desbloquear para rodar qualquer tipo de software e obter acesso “root” fácil no dispositivo.
Para hackers e pesquisadores de segurança, versões de programas como aircrack, que testa redes sem fio, e Metasploit, que serve para fazer testes de segurança em vários softwares, já estão disponíveis, tornando o N900 uma ferramenta excelente. Outros telefones dependeram de várias modificações para rodar esses programas – quando rodaram.
O N900 tem todo tipo de sensor e conexão. Além das já mencionadas, ele tem um sensor de proximidade e um acelerômetro, que detecta quando o telefone é “virado”. Tem também infravermelho: alguns usuários já fizeram programas para fazê-lo funcionar com o Wiimote e como controle remoto de set-top boxes e câmeras digitais.
Entre as aplicações “inovadoras” criadas para tirar proveito desses recursos está uma que usa o acelerômetro para detectar o quão longe o N900 iria voar se você decidisse jogá-lo. É só fazer o movimento com o braço e, no final, não soltar o aparelho da sua mão (se você o fizer, terá de medir a distância usando um método mais tradicional).
O aparelho também tem uma saída para TV (cabo incluso). Na parte traseira, há um suporte para que o N900 fique inclinado, permitindo que vídeos sejam assistidos mais facilmente. A lente da câmera e o flash de dois LEDs estão protegidos; o software é acionado ao deslizar a proteção da lente e é possível ajustar com satisfatória precisão as configurações da fotografia.
Todos os softwares do Linux Debian compatíveis com o processador ARM podem ser instalados no aparelho. Apesar não haver suporte nativo para Java, é possível consegui-lo por meio do Debian. A instalação do Debian pode ser feita pela própria interface do aparelho – há no repositório um script que se encarrega de baixar uma imagem e rodá-la.

O navegador do N900. (Foto: Altieres Rohr/Especial para o G1)


Meio caminho andado

O N900 mostra um futuro promissor para a Nokia. É um gadget capaz de agradar a qualquer geek com seu poder de processamento, armazenamento, resolução e, principalmente, pela sua flexibilidade, que nenhum outro celular oferece sem desbloqueio e a possível perda da garantia.
Pegando a estrada para ser um sucesso no mercado, no entanto, o N900 para no meio do caminho. Erros de usabilidade e recursos que faltam por clara omissão da Nokia tornam este “computador portátil” uma opção pouco interessante para quem quer um celular que simplesmente funcione.
A notícia de que o aparelho vai ser lançado com o português de Portugal aqui no Brasil é só mais um entre os vários e inexplicáveis desleixos da companhia finlandesa com esse modelo que deveria, na verdade, ser uma boa propaganda para o que está por vir. O G1 analisou um modelo importado, mas qualquer N900 pode ser configurado para usar português europeu.
É uma pena, porque a tecnologia está lá – chega a ser engraçado que um aparelho como o N900 é capaz de realizar chamadas no Skype de fábrica, mas incapaz de enviar um fototorpedo. A Nokia quer apostar todas as suas fichas no próximo modelo dessa linha, que deve usar o sistema operacional MeeGo.
Aposta-se que o MeeGo será capaz de integrar o Maemo e o com o Symbian, que é o sistema operacional líder no mercado de smartphones. Se a Nokia conseguir essa façanha, o Maemo seria beneficiado com toda a tradição de “celular” dos Symbian – exatamente o que falta para o Maemo ultrapassar a marca de “bom” e virar “excelente”.
Até lá, o N900 fica de quase substituto para um netbook, com grande capacidade de armazenamento e hardware para executar softwares de todo o tipo, além de ser possivelmente o melhor brinquedo do mundo para um geek. Se você procura apenas um telefone, no entanto, há alternativas com um custo-benefício melhor. Se você tem um amigo geek, pode pedir que ele faça alguns ajustes no seu N900 – aí você terá um celular excelente com o mínimo de dor de cabeça; de quebra, fará um nerd feliz.

Desculpa esse post nerd,mas esse celular é d+!

By:G1

7 comentários:

  1. olá
    td bom
    mto bom o blog
    =]
    preciso de um cel novo rs
    Leticia Lima

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  2. Parabéns pelo blog.

    Um abraço - www.jornalistavictor.blogspot.com

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  3. olá eric
    mto bom o blog
    hehe
    bjo

    Leticia Lima

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  4. Os celulares hoje fazem de tudo, menos a sua função principal.

    Abraço, Victor Mélo

    wwww.jornalistavictor.blogspot.com

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